‘Alguns juízes são irresponsáveis, não se colocam no lugar do outro’, diz Glória Pires, que será juíza em ‘Segredos de Justiça’

Por LÍGIA MESQUITA
Glória Pires como a juíza André Pachá em 'Segredos de Justiça' (Globo) (Renato Miranda/Divulgação)
Glória Pires como a juíza André Pachá em ‘Segredos de Justiça’ (Globo) (Renato Miranda/Divulgação)

Glória Pires interpreta a juíza da vara de família Andréa Pachá em “Segredos de Justiça”, que estreia dia 9 de outubro no “Fantástico” (Globo).

A série, com direção de Rafael Dragaud e Pedro Peregrino, é baseada no livro “A Vida Não É Justa”, em que a juíza Pachá relata sua experiência ao longo de 15 anos.

Em um dos cinco episódios de aproximadamente 12 minutos cada, Glória aparecerá julgando casos como o de um homem que assume a paternidade do filho da amiga e depois vê o pai verdadeiro aparecer, entre outros.

“As histórias que a Andréa conta são instigantes. Assisti a algumas entrevistas dela no YouTube e depois conversamos algumas vezes”, conta a atriz à coluna:

Você está longe da TV desde “Babilônia”. O que te atraiu nesse projeto?
Eu estava de férias quando o Pedro me convidou, não consigo resistir a um projeto inovador. Mas o que me atraiu foi a visão da Andréa sobre a vida daquelas pessoas. Sempre achei interessante uma pessoa decidir ser juiz, deve ser tão difícil julgar algo. Eu fiquei ainda mais interessada quando soube que ela estudou dramaturgia, direção teatral. Ela tem um “background” que enriquece a visão jurídica, que a coloca muito próxima das questões humanas, sem visão maniqueísta, daí aceitei.

Algum caso mostrado na série te surpreendeu mais?
Os casos, não, mas o ponto de vista da Andréa. Ela pontua as histórias com o parecer dela, com o que ela estava pensando quando a informação chegou. Tem um episódio que mostra dois jovens menores, em que a menina engravida e os pais querem obrigá-los a se casarem. E a Andréa pensa na história da avó, que não teve a opção de não se casar. Acho bacana esse “approach” humano dela. Em nenhum momento se coloca acima dos outros. Acho que os juízes, na maioria das vezes, se colocam assim. Ela tem muita responsabilidade, compaixão, acho que foi por isso que transformaram isso numa dramaturgia no “Fantástico”. Alguém pode achar doido e dizer “mas juiz não é irresponsável”. Mas alguns são, não se colocam no lugar do outro nem procuram se aprofundar.

“Segredos de Justiça” será bem curta. Te interessa o formato série, fazer uma maior?
Busco isso há anos, mas ainda não rolou. Tô sempre em busca de uma personagem bacana, de uma mensagem legal, não precisa ser de final feliz. Uma mensagem de contribuir de alguma forma.