‘Piedade é metáfora da mulher universal, da luta’, diz veterana Zezita Matos, estreante em novelas

Por LÍGIA MESQUITA

 

Zezita Matos (à dir.) e Camila Pitanga em cena de 'Velho Chico' (Mauricio Fidalgo/Divulgação)
Zezita Matos (à dir.) e Camila Pitanga em cena de ‘Velho Chico’ (Mauricio Fidalgo/Divulgação)

Zezita Matos, 74, conhecida como a dama do teatro da Paraíba, faz sua estreia em novelas em “Velho Chico” (Globo), como a mãe coragem Piedade dos Anjos, um retrato da mulher sertaneja.

Com 57 anos de carreira no teatro e muitos trabalhos no cinema (“Baixio das Bestas”, “O Céu de Suely”, “Cinema, Aspirinas e Urubus”), a atriz diz que nunca havia recebido um convite que valesse a pena na televisão, como o que recebeu do diretor Luiz Fernando Carvalho para a atual novela das 21h.

“Tenho 1,50 m, sou nordestina. A TV tem vários estereótipos. Nunca tinha pensado em fazer e acho que se vier outro convite, vou repensar. Aceitei porque o Luiz Fernando faz outra coisa, é cinema”, diz.

Na trama, ela é mãe dos personagens de Domingos Montagner e Irandhir Santos. “Já fiz a mãe do Irandhir em quatro filmes”, conta.

O que atraiu a senhora nessa personagem? Qual a força dela?
Ela não se restringe à mulher nordestina, é metáfora da mulher universal, da luta. É analfabeta, a matriarca que vê além, que acredita num futuro melhor. É a mãe de Brecht, defende os filhos na trincheira. Acredita em valores, na família, por respeito grande aos princípios de solidariedade, de humanidade. Ela tem uma frase: “Faça as coisas no teu quintal que elas repercutirão mundialmente”.

Como está sendo fazer TV?
Gratificante. E de muita responsabilidade como atriz, já que a novela chega à casa de tanta gente. Meu processo de interpretação continua o mesmo, sigo com aquele medo de que não tô fazendo o meu melhor (risos). Mas é trabalhoso fazer televisão, a novela tem nuances durante o processo e se assemelha muito com o teatro: a cada dia é um espetáculo, um acréscimo do que vai colocar e do que ficou para trás.