“Não tô fazendo só a avó do mocinho na TV”, diz Selma Egrei

Por LÍGIA MESQUITA
Selma Egrei como Encarnação, em 'Velho Chico' (Globo) (Renato Rocha Miranda/Divulgação)
Selma Egrei como Encarnação, em ‘Velho Chico’ (Globo) (Renato Rocha Miranda/Divulgação)

Selma Egrei, 67, adianta: Encarnação, sua personagem em “Velho Chico” (Globo), não dará tão cedo uma trégua ao filho Afrânio (Antônio Fagundes). “É uma guerra de poder constante. Ela quer dar as ordens, e eles passarão a vida em conflito.”

A atriz, que também fez a primeira fase, tem uma caracterização especial para viver a centenária matriarca na novela das 21h de Benedito Ruy Barbosa e direção de Luiz Fernando Carvalho.

Seu figurino lúdico, com vestidos pesados e véu, chama a atenção na trama, que se passa em uma fictícia cidade baiana. “Ela é a imagem do barroco e a vestimenta faz um paralelo com o coronelismo, com esse poder obsoleto”, diz à coluna.

Encarnação é má?
Não é má, vilã, não faz algo deliberadamente para prejudicar alguém, quer manter o poder da família. É mal-humorada, amargurada, ressentida com a vida, porque perdeu o filho que mais gostava. E ela não consegue manifestar amor com ninguém a não ser com esse filho morto e com o neto, que acha ser a encarnação dele. Ela tem humor dentro desse obscurantismo, é sarcástica.

Uma vez você disse que era esquecida para papéis na TV…
(Risos) Até os 20 e poucos anos a gente faz princesa, mocinha. Depois, vira a rainha. Aí você já é mãe do mocinho e vai indo até chegar na bruxa. E tudo é bruxa.

Faltam bons papéis na TV para atrizes acima de 50 anos?
Ouço amigas se queixarem e respeito, mas não sinto dificuldade. Foram aparecendo bons trabalhos para mim. Não tô fazendo só a avó do mocinho.

Você dizia que tinha preconceito com a TV. Isso mudou?
Não é preconceito. Sou uma mulher de teatro e fazia muito cinema, nunca tive familiaridade com televisão. Fazia, mas não achava que era o meu meio. Mas a TV tem mudado, não é mais aquela coisa automática de faz uma reunião com elenco, entrega capítulos e grava. Hoje há uma preparação teatral como fizemos em “Velho Chico”, em “Sete Vidas”. Desde “Sessão de Terapia” fiz coisas diferentes, séries com o Fernando Meirelles, que assim como o Luiz trabalha de maneira diferente. E “Velho Chico” é totalmente diferente das novelas das nove.