‘Pesei a mão no início de ‘Chapa’, ficou pessimista’, diz Cláudio Paiva

Por LÍGIA MESQUITA
O roteirista e chargista Cláudio Paiva (Sergio Zalis/Divulgação)
O roteirista e chargista Cláudio Paiva (Sergio Zalis/Divulgação)

O roteirista e chargista Cláudio Paiva, 58, criador de “Chapa Quente” (Globo), série cômica que estreou a segunda temporada no dia 7, tem uma atitude pouco comum em seu meio: faz um mea-culpa por ter errado a mão no início da atração.

O programa, protagonizado pela cabeleireira Marlene (Ingrid Guimarães) e por seu marido, o desempregado Genésio (Leandro Hassum), estreou em 2015 “pesando a mão” na crítica política e social.

A audiência da produção, que substituiu “A Grande Família”, também escrita por Paiva, não decolou, e ele corrigiu o rumo “pessimista” da história. Deu certo, e “Chapa” ganhou sobrevida.

Em 2016, a série aposta nas relações familiares. E tem o reforço de Marcos Caruso como o deputado Moacir.

Paiva, que também fez “Tapas & Beijos”,“TV Pirata” e “Sai de Baixo”, falou à coluna:

 

Por que mudar o foco de “Chapa” para relações familiares?
No final da temporada passada, os personagens da Ingrid e do Hassum tiveram filho, precisava investir nisso. Sobre os motivos, acho que com mais relações afetivas, crescemos. Errei a mão no início do programa.

De que maneira errou?
Me deu vontade de fazer crítica social e política mais agressiva. E pesei a mão. A linguagem na charge tem esse deboche, na TV foi um erro. A série ficou pessimista, um erro que não dá para cometer. Na situação atual do país, as pessoas estão ligadas em tudo, mas têm esperança que vá melhorar. Quando corrigimos o tom, a audiência subiu

Mas agora não corre o risco de ficar escapista, né?
Deus me livre! Não vou perder tempo com isso!

Por que ter um personagem deputado em “Chapa”?
Sou chargista, minha formação de humor vem do “Pasquim”. Esse político era inevitável. Uma vez tava discutindo com os cassetas e comprei uma briga sobre o “Pânico”. Falei: esses caras não têm ideologia, e nós temos! A onda do “Pânico” é fazer bullying.

Seu humor tem ideologia?
Sempre teve. Acho legal propor discussões na TV aberta, com o tamanho da audiência que ela atinge. No início de “A Grande Família” fizemos um episódio falando de drogas. Outro dia no “Chapa” a Marlene reclamava de ter que trabalhar, cuidar do bebê e ainda ter que se arrumar.

Você vê semelhanças entre o “Tá No Ar”e a “TV Pirata”?
Tem semelhança, mas e daí? É interessante pra burro, acho do c… o programa! Acho uma conquista. Eles são bons demais!

Te incomoda o humor que ataca tudo?
Nem falo mal disso. No Planeta Diário” a gente vinha na onda da abertura democrática, tacamos pedra em tudo quanto é vidraça. Tinha a ver com o momento, com uma geração. Hoje, aos 58 anos, fazer humor adolescente, falando mal de tudo e de todos não me interessa. Não dá para ficar tipo o Lobão, falando mal de todo mundo. É muito rancoroso.