‘Interpretar um pai te coloca num lugar menos de garotão’, diz Rodrigo Santoro

Por LÍGIA MESQUITA
Rodrigo Santoro como Afrânio, em 'Velho Chico' (Caiuá Franco/Divulgação)
Rodrigo Santoro como Afrânio, em ‘Velho Chico’ (Caiuá Franco/Divulgação)

Nas próximas duas semanas, Rodrigo Santoro, 40, aparecerá em um papel inédito em novelas: o de pai.

Na nova etapa de Afrânio, personagem que interpreta na primeira fase de “Velho Chico” (Globo), o advogado que se viu obrigado a virar coronel com a morte do pai, entrará em conflito com a filha, Maria Tereza, porque ela se apaixonará por um rapaz de família “inimiga”.

“É uma das novidades dos 40 anos esse papel de pai. Te coloca num lugar mais maduro, menos de garotão”, afirma ele à coluna.

Santoro, que desde “Mulheres Apaixonadas” (2003) não fazia um folhetim, ficará até 9 de abril na trama de Benedito Ruy Barbosa. Depois, Afrânio passará às mãos de Antonio Fagundes.

“O Afrânio terá que ser o que não é, porque não tem exatamente uma escolha. Mas ele é solar também. A gente tá falando das coisas da vida, a vida coloca as pessoas em cada situação”, diz.

O ator estava nos EUA gravando a série “Westworld”, da HBO, quando recebeu o convite do diretor Luiz Fernando Carvalho para protagonizar os primeiros 24 capítulos de “Velho Chico”.

Ele passou quase dois meses gravando no Nordeste.

Buscava voltar a fazer TV aqui?
Não só TV, tô sempre lendo roteiros. Nunca planejei uma carreira internacional, não saí daqui com uma mochila para buscar nada. Saí com o filme “Abril Despedaçado”, do Walter Salles. Fui dando um passo de cada vez, sem nunca me afobar nesses dez anos. Tava buscando alguma coisa interessante aqui e tentando encaixar com as outras experiências. Meu problema era me comprometer com antecedência, tava sempre na mão do cinema.

Se vê fazendo novamente uma novela por 8 meses?
Sempre que penso nisso, não faz muito sentido, independentemente do material —e sem nenhum preconceito. Aliás, sempre que me falavam “Ah, nunca mais fazer novela, né? Só faz cinema”, eu dizia: não tenho problema em fazer novela, o problema é o tamanho. E agora veio uma participação no tamanho certo. Quando me perguntavam isso, ficava a sensação de que não quisesse me expor num folhetim, em algo mais diluído. E não tenho problema nenhum com novela, trabalhei em várias, adorei. Acho um exercício incrível para o ator. Vai fazer 20 cenas por dia para ver.

Como foi sair de Los Angeles e cair no sertão?
Um deleite! Essa imersão era o que precisava para esse trabalho. Se não fosse assim, seria muito mais difícil. Me alimentei dos olhares, dos sons, da paisagem, de tudo. Foi um mergulho numa realidade que quase não conhecia. Fiz essa imersão no filme “Abril Despedaçado” e depois não mais. O sertão tem seu próprio tempo, sua própria dinâmica. O que me chamou mais atenção foi a força das pessoas, a retidão.

A TV aqui também vive uma “era de ouro” como nos EUA?
É uma era incrível. Não serei hipócrita, quando vislumbrei voltar a fazer TV aqui, pensei em uma série. A Globo começou a fazer séries incríveis. Quando fiz “Hilda Furacão”, todo mundo queria fazer minissérie e não tinha muitas. Hoje, elas são muito bem feitas e produzidas uma atrás da outra.