‘Ninguém pergunta qual o limite do mau humor’, diz Danilo Gentili

Por LÍGIA MESQUITA
Danilo Gentili no cenário do ‘The Noite’, do SBT (Divulgação)

Danilo Gentili estreou nesta semana a terceira temporada de seu talk show “The Noite”, no SBT.
A atração terá novos quadros e reportagens, mas seguirá focando as entrevistas.

“Se você muda muito o talk show, ele deixa de ser o programa que a pessoa está acostumada a assistir”, diz.

“A entrevista é o bolo da festa, mas vamos servir brigadeiro, beijinho. O talk show antes só tinha o bolo.”

Neste ano, Gentili ganhará dois novos concorrentes no fim de noite, Fábio Porchat, na Record, e Marcelo Adnet, na Globo.

Ele falou à coluna:

 

Como obter as melhores entrevistas? Tem que ter piada?
Não existe curso de talk show, o que minha experiencia me mostra é que nada substitui a autenticidade. É mais importante que pesquisar a vida da pessoa. Claro que me informo sobre o entrevistado, mas não tenho que fingir que sei tudo, ele percebe que você está sendo ‘fake’ (falso). O programa tem que ser divertido. As pessoas já viram os jornais, estão irritadas. Preciso ser a sobremesa.

Acha que às vezes erra a mão, constrange o convidado?
Isso não tem acontecido. Quando você tá falando com a pessoa, sente até onde pode ir.

Como vê a concorrência que terá com Porchat e Adnet?
Estamos chegando a um cenário parecido ao dos EUA, onde cada emissora tem seu late show. Com a saída do Jô, abriu-se uma grade. Pelos programas e comediantes, acho que podemos ter o mesmo nível dos EUA. Talvez o problema seja o cenário, os entrevistados, conseguir celebridades para ir a todos os programas.

Será desafiador?
Sem dúvida. Com o Porchat acho que o mais legal vai ser eu começar a fazer piada daqui, e ele responder de lá. Tem que surgir esse diálogo entre as emissoras.

Algumas pessoas criticam seu tipo de humor que bate em minorias…
Humor tem que falar do que for, do rico, do pobre. O que acontece é que existe uma minoria patrulheira de pessoas, que vão se transvestir de opinião pública… As pessoas estão assistindo, rindo. Pergunta-se muito qual o limite do humor, mas ninguém pergunta qual o do mau humor. Quem se sente mal com uma piada deve ter um problema maior.

Em entrevista à “Folha” o Adnet te citou como representante de um “entretenimento de direita”. Acha que é um humorista de direita?
Sou um humorista. O que de direita eu faço no programa? Para endossar isso você deveria pegar que opiniões de direita eu uso no meu programa. Porque você não vai encontrar, vai encontrar piada…Mas a melhor maneira de tirar isso a limpo é perguntar para o Adnet, ele que falou.

Politicamente você é de direita?
Talvez você, o Adnet achem que sou de direita porque constantemente critico e faço piadas com o governo. Me considero uma pessoa normal. Se eu ficar preso a uma ideologia, a uma corrente política, a um partido, corro o risco de me tornar um completo idiota.