‘O ‘BBB’ é para dar diversão, não é eleição presidencial’, diz Boninho

Por LÍGIA MESQUITA
O diretor Boninho (Estevam Avellar/Divulgação)
O diretor Boninho (Estevam Avellar/Divulgação)

O “Big Brother Brasil” muda nesta terça (23), pela primeira vez desde 2002, o sistema de votação para eliminação dos participantes.

Os votos pela internet passam a ser divididos pelas cinco regiões do país. Será atribuído um ponto para o candidato que conseguir maioria simples em cada uma delas. Também valerá um ponto a soma dos votos por telefone e SMS. Quem tiver mais pontos no total, é o eliminado.

A mudança, antecipada pela coluna, gerou polêmica nas redes sociais, por acontecer no meio desta edição, o que poderia indicar alguma falha no atual sistema.

Boninho, diretor de núcleo da Globo e responsável pelo programa há 14 anos, rebate a “teoria da conspiração” e comenta o episódio do estudante que acessou o número de votos pelo site da emissora, caso revelado pela Folha.

Leia a entrevista:


Por que mudar a votação?
O ‘BBB’ tem um ciclo de jogo que se renova toda terça, com a eliminação. Queríamos mudar, desenvolvemos o novo sistema, mas precisávamos ter um controle de entrada [de votos] maior. Semana passada tivemos 66 milhões de votos. Achamos que estava na hora de mudar.

Não dava para anunciar antes?
Daria confusão avisar um mês antes que mudaria com o fim do horário de verão. Agora, discutir a teoria da conspiração do ‘BBB’ é… posso dizer, nem minha mãe confia [risos]! Se o jogo fosse combinado, teríamos os maiores atores do mundo, porque saem do ‘BBB’ e não contam nada. Se não têm nada para contar a favor de uma teoria da conspiração, é porque não tem. Não vamos correr esse risco, a TV Globo não vai correr esse risco.

A mudança prejudica quem já foi eliminado?
Não, não muda nada. A gente quer é que o Brasil se veja um pouco mais representado, que brinque mais. A última votação, por exemplo, foi apertada no sul. Agora, quem é de lá e votou não vai se sentir morrendo na praia.

Não se preocupavam antes com essa representatividade?
As tecnologias mudaram, a internet mudou, a TV mudou. A gente tem que mexer em várias coisas no programa, nas formas, no conceito, nos candidatos. Tem que cutucar, dar um barato a mais para as pessoas brincarem. A nova votação é uma ferramenta que permitirá às pessoas brincarem mais. Esquece qualquer relação com política, eleição. O ‘BBB’ é uma brincadeira de votar como e quantas vezes quiser.

A votação de fã-clubes distorce os resultados? É um dos motivos para a mudança?
Com quase 70 milhões de votos, não há fã-clube que resista, há uma multidão assistindo. Quando o programa pega bem, como neste ano, é incontrolável o ódio ou amor das pessoas por ele. As torcidas são válidas, mas há mais gente controlando isso. A Vanessa ganhou não foi pelo movimento das Clanessas [torcida organizada]. Foi também por esse movimento, o que é muito diferente. Na minha cabeça, o que a gente dá é diversão, não é eleição presidencial.

Como vê o caso do jovem que acessou os números de votos?
Essa questão de tecnologia é de outro departamento. A informação que tenho é que não há 100% de chance de ele ter entrado, que alguém pode ter repassado informações.

A votação regional está ligada de alguma maneira à audiência?
Não, a gente tá atacando e olhando o jogo. Se a gente quisesse representar [todas as regiões], a gente daria peso, teria que mexer por outras razões. Aí viraria uma caixa-preta. Mas não tem isso. Todos os votos são contados, aparecerá o número de votos e o percentual. Vai ser possível ter uma visão do que andou, dos movimentos regionais. Por exemplo, um cara de Salvador que quer defender o participante da cidade dele, vai ver no final o resultado dos votos na sua região e dizer: “meu esforço valeu” ou “não valeu”.

Você disse que esta 16ª edição pegou. Por que isso aconteceu?
A gente aposta em tudo, o que vai montar de prova, no elenco. Tudo isso junto tem que dar liga. Como a gente lida com pessoas, faz uma seleção exaustiva de quase um ano, às vezes a química funciona por um lado, não funciona por outro. A gente não escreve o “Big Brother”, a gente corre atrás do “Big Brother”. E a gente está correndo atrás.

Como renovar um programa há tanto tempo no ar?
Tem que trabalhar, pesquisa, achar o elenco. A gente trabalha o ano inteiro, é um programa que, como dizia o Chacrinha, não acaba quando termina. A gente está pensando o tempo todo. Já estamos agora falando de como será a casa do “BBB” 2017.