‘Nunca quis ser a nº 1, a dona do sábado à noite’, diz Fernanda Lima

Por LÍGIA MESQUITA
A apresentadora Fernanda Lima (Caiuá Franco/Divulgação)
A apresentadora Fernanda Lima (Caiuá Franco/Divulgação)

Pela primeira vez apresentando o seu “Amor & Sexo” nas noites de sábado, Fernanda Lima diz que a tarefa é “uma responsa”.

“Sábado é mais família. Se a pessoa fica ali, é porque está gostando. E é muito positivo ver as pessoas aceitarem ouvir e debater esses temas ligados a sexo”, diz ela, que também assina o roteiro da atração.

O fim da 9ª temporada, em abril, será o adeus do programa, após sete anos no ar.

Fernanda falou à coluna:

Por que não continuar com o “Amor & Sexo”?
É muito difícil fazer esse programa. A minha profissão nunca foi criadora de formato, roteirista, e escrever esse programa é muito difícil. O processo criativo é de um sofrimento terrível pra mim, fico longe de casa, dos filhos, do marido. Aí combinei [com a Globo] que esta seria a última temporada. É um momento bom, termina com uma imagem boa.

Como avalia esta temporada?
Tô muito segura e assisto com prazer, sem medo de que alguém possa se assustar com o que está vendo. Acho que avançamos nos debates. A gente está discutindo gênero, sexualidade, num canal de massa. Quando a gente resolve botar a mão nessa cumbuca, também queremos aprender. Não sou superior a ninguém, não sou uma pessoa absolutamente aberta e sem preconceitos. Tive uma criação superconservadora, venho do Rio Grande do Sul, de uma cultura de machos como a maioria do Brasil.

O público é conservador?
A gente fala de um assunto delicado ainda, mas os números são bons [16 pontos de média no dia 14 no Ibope em SP, em que cada ponto equivale a 69 mil casas]. Acho que as pessoas estão cansadas é do excesso de violência, ou de assuntos que possam constrangê-las, agredi-las. E a nossa ideia é totalmente contrária a isso, a gente quer amorosamente e divertidamente tocar em temas espinhosos, porque a sociedade precisa caminhar. Temos que falar disso para que as pessoas não sofram violência por questões ligadas à sexualidade.

Acha que seu trabalho como apresentadora evoluiu?
Não sou crítica comigo, mas é difícil fazer autoavaliação. Vou para uma gravação com o mesmo empenho que ia para o “Fica Comigo” (2000), quando comecei na MTV. Acho que cresci.

Sente que existe um preconceito por ser ex-modelo?
Não sinto, as pessoas falam o que querem. Nunca me liguei nisso, sempre vai ter alguém para te criticar. Nunca pensei ‘Quero ser a número 1, a dona do sábado à noite’. Nunca ambicionei isso. Tô feliz com a carreira que construí, não foi fácil, trabalho desde os 16 anos.

Pensa em voltar a atuar?
Acho difícil nessa altura do campeonato. Meu contrato é como apresentadora. Tem muitas atrizes maravilhosas aí (risos).