‘Antes, cozinhar era coisa de avó. Hoje, é descolado’, diz Raíza Costa

Por Folha

Raíza Costa, 28, já foi “Miss Cookie” na época da faculdade, quando vendia quitutes nos intervalos das aulas, e participou do “MasterChef” nos EUA. Hoje, é a “Rainha da Cocada”, como é chamada pelos fãs, e comanda uma atração culinária de mesmo nome no canal GNT.

O programa, que mescla confeitaria e arte, estreou em novembro e, desde então, tornou-se o atração mais vista na plataforma de vídeo sob demanda GNT Play. Já tem o segundo ano confirmado para 2016.

 

A chef e apresentadora Raiza Costa, do "Rainha da Cocada" (crédito Nátali Hernandes/Divulgação)
A chef e apresentadora Raiza Costa, do “Rainha da Cocada” (crédito Nátali Hernandes/Divulgação)

O “Rainha” nasceu de um projeto que a jovem tocava de forma independente em seu canal no YouTube, o “Dulce Delight”. Foi na internet, a princípio nos EUA, onde vive desde 2009, que ela se tornou conhecida e recebeu convite para integrar o time de cozinheiros do Food Tube, do chef Jamie Oliver.

“Sempre acreditei no meu conteúdo, mas nunca pensei em vendê-lo”, diz à coluna.

(BIANCA SOARES)

 

Por que um programa de confeitaria e arte?
Sou formada em artes visuais, então minhas referências são do mundo da arte. Na gastronomia, a confeitaria é muito desvalorizada, as pessoas pensam na sobremesa como um extra. Vejo meus doces como esculturas comestíveis.

A que se deve o sucesso dos programas culinários?
Ninguém precisa ter interesse em culinária para querer assistir, porque a gente gosta de ver comida. Falo que faço pornografia de comida, são cenas pensadas para o público olhar e falar “quero muito isso”. Mas, na maioria dos programas, o alimento se tornou secundário. Quem está lá não necessariamente tem afinidade com a gastronomia. Antes, cozinhar era coisa de avó. Hoje, é “cool” (descolado).

Quando você estreou no YouTube ainda não havia tantos canais como hoje. O que mudou desde então?
Há cinco anos, o YouTube não era visto como um lugar de programas com qualidade. Servia para você colocar vídeos do seu papagaio. Do nada, virou essa potência da comunicação. Hoje, tem conteúdos elaboradíssimos, às vezes melhores do que os que estão na televisão.

Enquanto estava no ar, o “Rainha” foi o programa mais visto do GNT Play. É por conta da sua origem na internet?
Acho que isso é um reflexo da mudança no modo como as pessoas passaram a consumir conteúdos. Eu, por exemplo, não tenho TV. Mas não significa que não assisto, é que acompanho [a programação] no meu ritmo. A gente quer essa autonomia. O “on demand” é uma sacada que a internet apresentou para a TV.

Por que alguns “youtubbers” se recusam a ir para a TV?
Não acredito que eles não queiram ir para a TV, acho que falam isso porque não tiveram oportunidades.

Gosta de assistir a algum “reality show” de gastronomia?
Vai contra a visão que tenho da culinária. Não concordo com essa ideia de cozinhar com rapidez e sob pressão. Participei do “MasterChef” dos EUA, mas era jovem. Nem gosto de comentar isso, acho que não extrai o melhor das pessoas.

Por que “Rainha da Cocada”?
Uma vez o Caetano Veloso se apresentou no Brooklyn, onde moro. Decidi criar para ele o Super Bacana, um doce tropical à base de cocada. Ficou sensacional, aí fiz um episódio com essa receita. Na hora de escolher o nome para a versão do GNT, pensei nele, porque é cômico e tem tudo a ver com as danças bregas que faço.