‘Toda novela, toda fábula, é sobre transformação’, diz Paulo Halm

Por LÍGIA MESQUITA
Os autores Rosane Svartman e Paulo Halm (Divulgação)
Os autores Rosane Svartman e Paulo Halm (Divulgação)

Rosane Svartman e Paulo Halm são os autores da mais recente versão da Gata Borralheira para a televisão, a novela das 19h da Globo, “Totalmente Demais”.

A trama, protagonizada por Marina Ruy Barbosa, Felipe Simas, Juliana Paes e Fábio Assunção, é a primeira “adulta” que os dois assinam como autores principais na emissora.

A dupla também escreveu “Malhação – Sonhos”, que contou com o mesmo diretor de “Totalmente Demais”, Luiz Henrique Rios.

Os autores dizem que a trama não tem divisões de núcleos. “A gente brinca que tem um ‘núcleo dramático’. Todo mundo tem seu histórico de humor e de drama”, diz Halm.

Eles falaram à coluna:

Como é o processo de trabalho conjunto de vocês?
Paulo Halm -Desde “Malhação” a gente buscou trabalhar presencialmente. Primeiro, porque escrevemos a história falando, a gente faz os diálogos, faz as vozes. Então, trabalhamos diariamente num escritório. E os colaboradores aparecem por lá porque queremos que eles saibam como a história está sendo contada.
Rosane Svartman A gente gosta de trocar, de almoçar na rua, ver o que estão falando. Se um canta, logo a gente pensa numa cena e aí vai.

Sempre quiseram fazer um conto de fadas moderno? Dá para renovar essa história?
Rosane – Tem essa coisa da gata borralheira [Eliza, Mariana Ruy Barbosa], do sapo [Jonas, Felipe Simas]. As fábulas sempre são uma inspiração para as narrativas. A nossa novela fala da possibilidade de transformação. A Eliza vai arrumar um jeito de trazer a família dela para morar com ela, e para isso ela vai se transformar. O Jonas, pela Eliza, vai querer se transformar também: sair da rua, ter um emprego formal.
Paulo – A novela foi inspirada no conto de Pigmalião e em “My Fair Lady”. No início a gente fez uma história hilária que era Pigmalião encontra Cinderela, que encontra “Top Model”. Vivemos das informações, trabalhamos muito com as referências. Toda novela, toda fábula, é sobre transformação. Você começa de um jeito e termina de outro. O contar essa história com poesia e leveza que é nosso grande desafio.

A novela tem um apelo juvenil. Vocês se deixam influenciar pelas redes sociais?
Paulo – Não ficamos numa bolha. Na época de “Malhação” a gente dialogava com os fãs, com “haters” que brigavam com a gente, ameaçavam. A gente escrevia com eles falando no Twitter. É uma ferramenta pequena, mas tem dado retorno.
Rosane – É claro que nada muda a história, mas é bom acompanhar o minuto a minuto desse veículo. As pessoas vão comentando enquanto está no ar. Na TV você vê na hora, tem o Ibope. Tudo isso vira um amálgama de informação. É diferente do teatro, do cinema…
Paulo – Em cinema, se você erra, só verá quando estiver pronto. Em novela, que é obra aberta, pode corrigir rumos, descobrir coisas novas.

>> Com BIANCA SOARES